| SETOR DE EMBALAGEM | ||||||||||||||||
|
5.2. - Design no segmento de xampus Xampus são produtos saponáceos, em geral líquidos, usados para a lavagem e/ou enxaguamento dos cabelos e do couro cabeludo. Apresentam funções específicas voltadas para melhorar a maciez e o brilho dos cabelos, combater a queda e a caspa. Compreende uma gama variada de produtos destinados a diferentes grupos de consumidores. Os xampus são geralmente acondicionados em embalagens de vidro ou de plástico. Nos últimos 20 anos ocorreram apenas duas inovações significativas em relação às embalagens de xampus: mudança de matéria-prima de vidro para plástico e, mudanças nas tampas que evoluíram do sistema de rosca para o de encaixe, possibilitando melhor vedação e menores riscos de derramamento do produto. Nas empresas contatadas, os fatores relacionados a embalagem, considerados importantes na diferenciação dos seus produtos foram indicados sem muita precisão e, podem ser agrupados como segue:
Em média, entre moldes, design e desenvolvimento, uma linha de produtos desta empresa consome cerca de US$ 1,5 milhão em embalagens. No início desta década esta empresa, após um processo de unificação e reestruturação incorporou a atividade de design de embalagem ao Departamento de Engenharia. Conforme um dos especialistas entrevistados, apesar desta empresa contar com uma infra-estrutura especializada em design, os seus produtos são lançados em Nova York, onde as embalagens são desenvolvidas e, após alguns meses, as embalagens são copiadas pelas suas fábricas instaladas no Brasil. Segundo este especialista, há uma lógica neste processo, pois os custos brasileiros de desenvolvimento de embalagem são bem maiores do que os custos internacionais. Na empresa B (também uma multinacional), para o desenvolvimento dos seus projetos de embalagens, na maioria das vezes, são contratadas agências internacionais. Nesta empresa praticamente tudo o que se refere ao desenvolvimento de embalagem já vem pronto da matriz. A atividade de design está situada no centro de P & D e o espaço para inovações é bastante restrito. A empresa C, de
capital nacional, vem seguindo a tendência que se verifica em
nível internacional, de deslocar, cada vez mais, a atividade
de design para a área de marketing. Em 1994, essa empresa, juntamente
com uma de suas fornecedoras de matéria-prima, a Wheaton do Brasil,
recebeu o prêmio Worldstar conferido pela World Packaging Organization
à melhor embalagem de vidro desenvolvida em todo o mundo. No desenvolvimento
dos projetos de embalagens dessas empresas há, internamente,
um processo de troca de informações entre o departamento
de marketing e outras áreas, principalmente com o departamento
de engenharia de manufatura. Essas empresas interagem também
com os fornecedores de matérias-primas/embalageiros para verificar:
(i) a capacidade de fornecimento dentro das especificações
exigidas, e (ii) a melhor forma de viabilizar o projeto idealizado.
Essas três
empresas possuem Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) que
realiza pesquisas para verificação da satisfação
dos consumidores com os produtos e serviços da empresa e, registra
as reclamações e/ou solicitações dos consumidores
e as repassa para as áreas técnicas colaborando na elaboração
de planos de ação corretiva.
Dentre as estratégias e ferramentas utilizadas por essas empresas para o desenvolvimento do projeto de embalagem destacam-se: (i) pesquisa junto aos consumidores, (ii) benchmarking, (iii) CAD (projeto assistido por computador), (iv) prototipagem rápida, (v) CAM (manufatura assistida por computador), (vi) engenharia simultânea/análise de valor. Para a empresa A, essas ferramentas, a partir de julho de 1996, passaram a ser utilizadas principalmente no "redesign" de embalagens. Ainda segundo essas empresas, o tempo dispendido no desenvolvimento de uma embalagem varia entre seis meses e um ano e meio. O controle de qualidade no desenvolvimento de embalagem é feito tanto interna e externamente, incluindo testes físicos e dimensionais com destaque para, testes de impacto, vazamento, stress cracking, corrosão, droptest e teste de compatibilidade. Com relação à origem das normas para o desenvolvimento de embalagens observou-se que a empresa B segue normas estabelecidas internacionalmente e a empresa A segue normas próprias para o desenvolvimento dos seus produtos, embora siga também algumas normas nacionais e estrangeiras. Quadro 5 - Impactos
do desenvolvimento da embalagem de xampus
|